A casa esta composta por 6 quadrados agrupados dois a dois. Dentro dessa regra compositiva, duas subtrações foram feitas nas extremidades opostas entre si para compor dois recintos: a garagem e a área de recreio. As distintas relações que esses vazios estabelecem com o os interiores foram proporcionadas pelos desníveis de piso, transparências e acessibilidade.
Dentro dessa dinâmica dos quadrados, quatro eixos virtuais perpendiculares à rua pública organizam os espaços de distinta natureza dentro de um mesmo envoltório. À direita, o serviço organiza-se linearmente e passa despercebido ao visitante apesar de compor importante papel volumétrico. Está em um local estratégico respeitando a insolação e funcionalidade.
À esquerda, a sucessão de salas e equipamentos de ócio proporciona ao morador uma amplitude espacial com 5,50m de pé-direito e enorme transparência nas fachadas paralelas a rua. Dita transparência reafirma a continuidade do espaço apenas delimitado pelos enormes planos brancos que sugerem ao morador uma integral apropriação de seu lar.
Uma única descontinuidade acontece com a escada de acesso aos dormitórios do pavimento superior. Metálica auto-portante, acética e incolor, ela corta a sucessão de salas em certo ponto criando um filtro visual entre a rua pública e o pátio posterior privado.
Em meio a esse percurso direto entre dormitórios e serviços, é possível parar por um momento no patamar de giro e sentir-se imerso em imenso volume de ar que nos envolve.
Ao fundo dessa porção esquerda, esta o pavilhão que arremata tal sucessão de ambientes. Separado da casa pelo intervalo da piscina e deck, cria certa tensão entre sua própria volumetria e a casa. Esse espaço de intervalo ganha qualidade na dualidade entre “ver” e “ser visto”, dissolvendo por completo a noção de anexo.
Adentro-me um pouco agora na dinâmica da ligação que existe perpendicularmente aos eixos anteriormente comentados. A sala de televisão e o recreio são passiveis de união apenas com a abertura física das portas que inicialmente os separam.
Pode-se dizer que esses dois ambientes mesclam-se a favor de um convívio social mais generoso e mutável. Quase como se o volume superior que abriga os dormitórios houvesse migrado para uma cota mais elevada para a promoção de uma convivência e para o estabelecimento de uma ventilação cruzada.
Entre as duas áreas descritas nos parágrafos anteriores (direita e esquerda), existe um espaço linear que serve de fronteira gradativa entre a abundante espacialidade das salas à esquerda e a domesticidade dos serviços à direita. Seria como um intervalo de transição entre duas distintas partes de um todo.
O pavimento superior abriga quatro suítes com marcada simetria que são acessadas por um corredor imediatamente acima do comentado anteriormente. Uma luz lateral adentra o espaço por uma janela corrida acima da cabeça do visitante e desmistifica esse corredor como tal palavra sugere. Todo esse conjunto descrito faz parte de um envoltório comum destacado no projeto pela função, volumetria e pela cor verde.