PLANOS E VOLUMES
Nessa breve descrição, não existe uma hierarquização de temas e tampouco houve um esgotamento na argumentação de cada um deles. Apenas escolhi temáticas que me pareceram oportunas e escrevi sobre elas. Assim, esse texto apenas acompanha a obra, pois ainda creio que o gráfico é a principal ferramenta para o entendimento de toda arquitetura apresentada.
Quatro eixos virtuais perpendiculares à rua pública organizam os espaços de distinta natureza dentro de um mesmo envoltório. Nesse esquema percebemos um eixo central vazio que articula duas metades e um terceiro elemento ao fundo que acaba de recintar o pátio posterior.
Apesar de uma primeira leitura volumétrica na fachada frontal, o edifício logo desperta certa dubiedade em estar composto por volumes ou por planos. Le Corbusier depositava na sombra, e na luz por conseqüência, grande parte de suas preocupações referentes a composições arquitetônicas e creio que ela é, neste caso, a condutora de grande parte dessa discussão.
Ao final, o contorno exposto de cada face contra a luz e os desencontros entre os vértices e arestas das partes em questão nos deixa perceber que se trata de uma relação entre planos. Comento isso, não como uma critica à composição volumétrica, apenas clarifico o processo que foi adotado nessa casa e algumas outras posturas que partiram daí. Desde que seu autor assuma o real resultado de sua obra, como o assumem Aalto e Siza em relação à luz, acredito que a arquitetura construída pode ser muito bem fundamentada.
O serviço do lado esquerdo, voltado à face sul, conecta a rua à área que mais avança sobre o muro posterior. Ambientes funcionais e circulação direta são fortes características dessa zona dentro da residência. Essa linearidade faz com que toda a cozinha e churrasqueira, área que chamo de recreio, estejam voltadas para os demais espaços de convivência.
À direita, a sucessão de três salas cria um único grande salão cortado apenas pela escada de acesso ao superior.